Crítica | Conto de fadas erótico ou continuação de “O Monstro da Lagoa Negra”?

Longa “A Forma da Água” levou quatro estatuetas do Oscar e premiou Guillermo del Toro como melhor diretor.


Na última cerimônia do Oscar, “A Forma da Água” produzido pelo mexicano Guillhermo del Toro ganhou quatro estatuetas. Entre elas, de melhor diretor e melhor filme. A produção do filme começou em 2011 e o próprio diretor desembolsou os primeiros custos para produção, tudo isso para que a imagem da criatura mística ganhasse forma.

O filme que se passa durante a Guerra Fria, traz muito do que a beleza da paixão entre uma criatura misteriosa e uma mulher muda, também revela vários preceitos que naquela época eram abominados nos EUA, como a participação dos negros na realidade do país e a diversidade sexual. Elementos pouco explorados no filme, mas que mesmo com poucos detalhes, nos remete à lembrança de toda a luta para essas classes. 

Outro ponto bem explorado é o medo do comunismo e aflição dos americanos de estarem em segundo lugar quando comparado a União Soviética. A liderança do país comunista naquela época na corrida espacial nunca será esquecida pelos americanos.

Um dos elementos mais bem elaborados do longa é que, mesmo a protagonista Elisa sendo muda, demonstra clareza em todas as situações, e isso faz com que o papel dela seja explorado além dos sentidos comuns. Sally Hawkins, foi a primeira escolha do diretor para o papel da mocinha e a atuação dos interpretes deu voz necessária para o longa.

A produção também foi comparada como uma suposta continuação para “O Monstro da Lagoa Negra” de 1967, e filme preferido do diretor. Claro que sua paixão por personagens místicos ficou conhecida em Hollywood, como nos filmes “O Labirinto do Fauno” (2006), Hellboy (2004) e “A Colina Escarlate” (2015). O diretor garantiu a quarta vitória para um diretor mexicano nos últimos cinco anos. Alguns sites especularam se o filme poderia ser a continuação para o filme preferido do mexicano. Será?

Uma das cenas mais marcantes do longa é quando Elisa e a criatura saltam para de baixo d’água e após um beijo cheio de sentimentos, ela consegue respirar. A quantidade de simbolismos do filme traz a ideia de que tudo isso, além de ser um pouco óbvio em uma história de amor, também relata que a mocinha e o deus amazônico podem ser da mesma espécie. Para os investigadores e críticos de plantão, o fato de mostrar o pescoço com cicatrizes no início do filme e da estranha história da infância dela, mostram que ela pode sim ter laços com a criatura.

Curiosidade extra: Uma designer americana do Colorado criou um vibrador inspirado no sexo da criatura e durante a premiação do Oscar, todas as 50 unidades feitas a mão por ela foram esgotadas. Segundo a designer, uma nova remessa pode ser criada.


Sinopse:
Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, a muda Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer).


Texto: Gabrielle Santos

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